Estereótipos e a Espiral do Silêncio

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Por Simone Dantas Miranda

Quantas vezes por dia não repensamos atitudes, não fingimos ou não nos calamos para evitar uma discussão ou, principalmente, o medo do ridículo? Fato é que a diferença gera desconforto. E ingenuamente seguimos lutando para nos adequarmos a um grupo, ser o que os outros querem, nos encaixarmos em estereótipos, modelos predeterminados que nos confortam, nos são acolhedores.

Assim, nos mantemos inconscientes para a vida além do modelo que fizemos de lar. Além disso, falar o que pensa é muita responsabilidade. Quando não assumimos um estereótipo, podemos gerar conflitos e dificuldades que nos prejudicam na convivência social. É mais fácil não encarar o medo de se expressar. Há também o orgulho e até a preguiça de se esforçar em pensar por si, criar sua própria verdade e realidade.

Criar estereótipos é uma maneira de silenciar multidões e foi isso que a socióloga alemã Elisabeth Noelle-Neumann estudou. A sua teoria da Espiral do Silêncio vai além, ela fala do impacto da opinião pública na opinião dos indivíduos. Para ela, os indivíduos tendem a omitir sua opinião quando são conflitantes com a opinião dominante por medo do isolamento. É quando, como falamos no início deste texto, repensamos, fingimos ou nos calamos. Existe, segundo a teoria, uma tendência progressiva ao silêncio, o que seria a espiral. A pesquisadora se dedicou a esse estudo porque existe um ônus social quando o silêncio domina, tal qual quando os estereótipos se formam.

Japão Antirrelacionamento

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Por Simone Dantas Miranda

A terceira maior economia do mundo, o Japão, vive um decréscimo de população. Anualmente a população diminui e a razão pode ser o desinteresse por relacionamentos. Segundo o levantamento do Instituto Nacional de População e Pesquisa da Segurança Social do Japão, 61% dos homens solteiros e 49% de mulheres entre 18 e 34 anos não mantêm relações íntimas. Mesmo os japoneses casados, de acordo com a pesquisa, sequer sentem atração sexual. Metade dos homens não fazem e sexo e a grande justificativa é que há atividades mais interessantes. É um paradoxo já que o Japão é o maior produtor de pornografia do mundo.

No país onde “morrer de trabalhar” não é força de expressão, ainda mais após a crise econômica que assolou o Japão na década de 1990, o trabalho pode ser uma motivação forte para que os relacionamentos sejam evitados. O governo japonês chegou a reconhecer em 2015 que 93 casos de excesso de trabalho contribuíram para suicídios e tentativas de suicídio e em outros 96 casos, trabalhadores tiveram mortes por ataques cardíacos, derrames, dentre outras doenças motivadas pelo excesso de trabalho.

Outro fator que contribui para desinteresse pelas relações sociais é o consumo de tecnologia. Os jovens investem o tempo e a atenção nos videogames, aplicativos de celulares e sites da internet. Por ser um país rico em que a população tem acesso a diversos produtos, fica mais fácil trocar os relacionamentos reais por virtuais. Há quem pague caro para conseguir o contato pessoal. Sites japoneses alugam companhia àqueles que já não sabem mais se relacionar com pessoas de outro sexo. O interessado escolhe e pago pelo serviço que inclui andar de mãos dadas e passear pela cidade por duas horas. Sem contato físico, o serviço é como uma consultoria para quem não sabe lidar com relacionamentos.

Grande muralha Firewall e BigBrother chinês

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Muralha da china em Pequim (Foto: Desirêe Galvão/2013)

Aos 20 anos decidi passar uma temporada do outro lado do globo. Tive a oportunidade de experimentar o silêncio do tailandês nas conversas sobre o intocável rei, hoje já falecido, a prisão psicológica que é estar na Indonésia durante o Ramadan, pelo menos para quem não é muçulmanos, e o comunismo chinês.  Naquela época, em 2012 e 2013, eu era uma jovem conectada, na metade do curso de jornalismo e oficialmente uma campuseira da Campus Party Brasil, evento de tecnologia e comunicação e cultura da tecnologia. Não achava ser possível sobreviver sem as redes sociais ou em qualquer regime ditatorial neste mundo.

Na China, passei os três primeiros meses no interior do Cantão,  em Zhaoqing, a duas horas da capital Guangzhou. A região, em que também se localiza Hong Kong, é uma fábrica mundial de tecnologia, pijamas e roupas íntimas. Mas lá, como em qualquer canto do país, a população não tem acesso ao facebook, twitter, youtube, VK e todas as outras redes sociais relevantes, resultado da ditadura comunista instalada.

Os bloqueios de internet começaram na China em 2003. Desde então, os estrangeiros que querem ter acesso ao facebook dependem de sites pagos e muito lentos para acessar as redes sociais. Digo estrangeiros, porque os chineses mesmo nem se importam mais em transgredir as regras para se comunicar com o resto do mundo. Depois da censura, eles criaram os próprios sites, que obviamente são vigiados pelo governo, para postar as fotos e demais interações online.

Certa vez decidi cancelar meu pacote ilegal, de exatos $36 dólares mensais, para acessar o facebook. A plataforma não funcionava direito, era lenta, e eu acabava passando mais raiva do que exibindo minhas fotos orientais nas redes. Tentei usar o Renren (Facebook), Youku (Youtube) e o Sina Weibo (Twitter). Frustrei-me ao perceber que, por não saber escrever em cantonês ou mandarin, na verdade não estava me comunicando com ninguém. Os colegas chineses de trabalho, com dó, de vez em quando deixavam-me uma curtida ou retwitada, mas me sentia muito sozinha e isolada neste sentido.

Ao final da minha estadia no Cantão, precisei ir a Hong Kong renovar meu visto de turista, que trabalhava como modelo ilegalmente. Essas viagens para a renovação de visto eram mesmo rápidas, demoravam cerca de um dia inteiro, ou dois, caso quisesse curtir um pouquinho da cidade. Por algum motivo estupido, declarei estar na metade da faculdade de jornalismo. O chinês da imigração ficou desconfiado, disse-me que precisaria averiguar, pois naquele caso, eu deveria estar solicitando o visto de jornalista. Acontece que, a análise para este tipo de visto é tão rigorosa que demorava cerca de um mês para oferecer a resposta. Nem trabalho como jornalista eu tinha, se isso fosse de fato acontecer, poderia considerar o pedido de visto negado. Após cinco horas esperando sentada no chão do consulado, o mesmo oficial me chamou de canto e emitiu meu visto de turista. Não entendo até hoje o que aconteceu naquele dia.

Fui para Pequim passar meus últimos três meses na Asia. Aparentemente, os -20ºC gelavam não só a ponta do meu nariz naquele inverno, mas também os corações da população local. Durante todo o período, fiz apenas uma amiga chinesa, com a qual perdi contato depois de algum tempo. Nos comunicávamos apenas através e-mails. Na época,  Whats’app já era febre no Brasil, e mesmo na China não era bloqueado. Mas o chinês se acostumou tanto a desenvolver as próprias plataformas, que até hoje o aplicativo equivalente mãos utilizado é o WeChat.

Me dava uma sensação de revolta ao perceber a passividade daquele povo perante a censura. Pensava que talvez isso fosse resultado do controle de conteúdo, que até na tv escolhia o tipo de novela, programa de auditório, entre outros entretenimentos que iam passar. O Grande Irmão chinês mostrava diariamente que trabalhava duro para manter as coisas do jeito que estavam. Mas ao final desta jornada, com pequenos sinais lidos nas entrelinhas, percebi que o povo de uma ditadura não se mantém quieto por escolha ou por concordar com tudo o que acontece, mas por saber que é só melhor não dizer nada.

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Guangzhou, capital do Cantão (Foto de Desirêe Galvão/2012)

Visualizada e não respondida: os corações partidos

Por Desirêe Galvão

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Meme de RuPaul (Internet)

Nos dias atuais é preciso ter muita maturidade para não se envolver em brigas por conta de mensagens visualizadas e não respondidas. Na cultura brasileira, tal atitude rude, vem sendo encarada como falta de educação, como se a pessoa que visualizou e não respondeu estivesse ignorando e até maltratando o remetente.

Na Compós 2017, realizada na Faculdade Casper Líbero, o foi discutido no GT de Comunicação e Cibercultura, onde a pesquisadora Francine Tavares apresentou o artigo referente a pesquisa dela “VISUALIZADA E NÃO RESPONDIDA”: sobre a mediação digital das relações amorosas e a emergência de patologias contemporâneas”.

O artigo apresentou resultados de uma pesquisa empírica sobre as relações afetivosexuais medidas através das Tecnologias Digitais de Comunicação (TDC), vulgo chats como Whatsapp e Messenger. Tavares reflete sobre doenças que podem vir a surgir a partir de tais situações contemporâneas, e a influencia de tais meios de comunicação com os atuais modos de vida. Sim, os resultados demonstram que a maioria esmagadora das pessoas sofre de alguma forma ao serem ignoradas.

Além disso, Tavares apresentou também parte de uma outra pesquisa em andamento, em direção a compreensão dos fenômenos patológicos configurados com  “amor patológico” e “love addiction”no Brasil e no Mundo.

Leia o artigo clicando aqui.

 

A incessante busca pela liberdade de expressão

Por Sheyla Melo

O Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, organizador do 3ª Encontro de blogueiros e ativistas traz a tona reflexões sobre os riscos que corre a liberdade de expressão no país.

Mediada por Renata Mielli do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), com a apresentação da Campanha Calar Jamais, que recebe denúncias de violações e perseguição a jornalistas e blogueiros.

Gleisi Hoffmann, senadora pelo PT – PR, afirma que a mídia brasileira possui um oligopólio da comunicação, com uma concentração econômica e de interesses privados, essa situação foi estabelecida com a agência de regulação que nasceu em 1962, no período da pré ditadura, permitindo as concessões para poucos grupos.

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Palestrantes da Mesa: Altamiro, Maria Inês, Renata, Gleise e Luciana – imagem de Sheyla Melo

Luciana Santos, deputada federal pelo PCdoB – PE faz a ligação do atual momento do país com as manifestações de julho de 2013 no qual intensificou-se a radicalização do campo ideológico e político brasileiro.

Ela também é presidente do Partido Comunista do Brasil e relembra que Lula ganhou um governo, mas que nunca foi aceito pelas bases conservadoras e que retiradas de presidentes populares do poder, não é um fato isolado, existem diversos na América Latina.

E destaca que a regulamentação dos meios de comunicação avançou muito pouco, mesmo no governo petista não houve o fim do monopólio na comunicação.

“Onde foi que erramos?” é o questionamento da jornalista Maria Inês Nassif, para ela erramos no engano de acreditar que uma vitória eleitoral representava a conquista da hegemonia e que a mídia não abalaria, mas ela foi o verdadeiro partido de oposição.

E Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, define que vivemos um novo golpe, um golpe essencialmente midiático, onde políticos e juristas viram personagens.

Essa mídia ajudou esse golpe e agora é um período muito perigoso, corremos sérios riscos da falta da liberdade de expressão, é um cenário sombrio, tornando estado de exceção, com  desmontes do Estado, do trabalho e da nação é o projeto neoliberal contra a democracia.

A mídia alternativa está sofrendo uma asfixia dos patrocínios que podem fazer o fim de publicações críticas

Por isso a luta pela liberdade de expressão, para que todos tenham o direito de falar!

O encontro contou com a presença de jornalista, estudantes, representantes políticos, blogueiros, ativistas e interessado na compreensão no tema, esse foi o primeiro dia do 3ª encontro que aconteceu no Sindisep nesta sexta (09/6)

Veja na íntegra o debate no link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=1vinOvQKGoM#t=148

O campo de várzea e sua importância para a comunidade

Por Sheyla Melo
 Exibir esse documentário é fazer as pessoas se identificarem na tela e permitir um significado muito maior a arte, diz o diretor Akins Kintê.

 

Ele destaca a importância da identificação da produção quando sua exibição acontece nas periferias da cidade, o documentário é Várzea, bola rolada na beira do coração (2010) que quando é exibido nas quebradas as pessoas imediatamente se identificam.
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Akins na roda de conversa sobre o documentário – imagem Cine Campinho

Os campos de várzea estão em diminuição, principalmente pela especulação imobiliária, o poeta Akins destaca a sua importância como ponto de encontro, sendo um dos poucos espaços de lazer e cultura.

Visto também como um espaço de disputa política, os poucos campos sofrem com políticos que organizam melhoras para o campo e acabam destruindo as forças das lideranças locais, para Kintê o sintético permite um melhor uso do campo, mas é preciso que as pessoas venham de coração aberto e que não da pra aceitar aqueles que querem cobrar para os outros usarem o campo.

Sobre a participação das mulheres no campos de várzea, ele afirma que os homens precisam mudar, pois tem muita mulher que vai para beira do campo porque gostam do futebol, de estar no local e não por interesse de se relacionar com ninguém, esse é um ensinamento que todos precisam aprender o mais rápido possível.

O encontro aconteceu 27/05/2017 e seu ponto de vista sobre os campos de várzea, política, participação da mulheres e o deslocamento pela cidade estão na íntegra na radioteca abaixo:

Soma do século XXI

“E se alguma vez, por qualquer infelicidade, acontece, por esta ou aquela razão, algo de desagradável, pois bem, há sempre o soma para permitir uma fuga da realidade, há sempre o soma para acalmar a cólera, para fazer a reconciliação com os inimigos, para dar paciência e para ajudar a suportar os dissabores” – Admirável mundo novo

Por Desirêe Galvão

A Soma foi assim descrita por Aldous Huxley, em 1932, em Admirável Mundo Novo.  O livro de ficção científica fez uma previsão caricata sobre como a sociedade se comportaria no próximo século. Entre elas a automedicação exagerada da população.

A associação que se faz ao consumo dos remédios é completamente ligada aos aspectos emocionais e permeia a pergunta: o que a sociedade espera das pessoas? Aparentemente, apenas quem consegue suprir as expectativas sociais de comportamento, padrões de beleza e estrutura familiar alcançam a plenitude emocional.

Uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com o Hospital das Clínicas de São Paulo revelou que 40% da população da região metropolitana de São Paulo, capital do estado, sofre de algum transtorno psíquico como a depressão, ansiedade, o pânico e etc… Os sintomas de tais doenças causam, como em efeito dominó, o enfraquecimento do sistema imunológico, portanto o aparecimento de outras enfermidades.

De acordo com a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento mais prescrito pelos médicos no Brasil é o Rivotril, um calmante antidepressivo.O número de caixas vendidas por ano da substancia subiu quase 800% entre 2007 a 2015, partindo de 29 mil para 23 milhões. Atualmente as vendas dele só são inferiores as do anticoncepcional distribuído pelo SUS.

A discussão sobre a automedicação, o Rivotril, e outros remédios super estimados pela sociedade pode ser encontrada no podcast “Remédio para que?”, publicado no site B9.

 

Quem lê os seus tweets?

Por Desirêe Galvão

As redes sociais trouxeram, de alguma forma, voz ao cidadão comum. Atualmente, uma opinião pode ser compartilhada e alcançar números maiores, proporcionalmente, do que as simples conversas na fila do pão, como era antigamente. Não que isto traga um holofote a cada textão compartilhado, mas funciona mais ou menos como usar um mega-fone em praça pública, pois todos escutam, mas pouquíssimos prestam atenção.

Nesta linha de reflexão, os pesquisadores Raquel Recuero, Gabriela Zago e Felipe Bonow Soares, se aprofundaram no tema “Mídia social e filtros-bolha nas conversações políticas no twitter” e apresentaram um artigo na última Compós, realizada na Faculdade Casper Líbero. O trabalho explorou as características da circulação das informações na rede social diante da possibilidade de formação de filtros-bolha.

As análises levaram em conta dados relacionados aos diálogos no twitter em torno de acontecimentos políticos recentes no país, como o Fora Dilma e o Bolsonaro 2018. Os resultados apontaram a existência de grupos ideologicamente distintos na discussão dos temas abordados, que se não trocam ideias uns com os outros, o que segundo os pesquisadores, coloca em cheque o caráter democrático da mídia social e o potencial para ampliar a pluralidade de fontes informativas dos usuários.

Leia o artigo clicando aqui.

Redes sociais como modelo de governaça algorítmica

Por Desirêe Galvão

O artigo apresentado por Júlio Cezar Lemes de Castro na Compós 2017, o artigo “Redes sociais como modelo de governaça algorítmica” discorre sobre a ideia de controle social através dos algoritmos presentes nas plataformas de redes sociais como o Facebook, por exemplo. De acordo com Castro, as redes sociais que nasceram no contexto da Web 2.0 por modelos que funcionamento de gestão social típicos da contemporaneidade.

No Grupo de Trabalho Comunicação e Cibercultura, durante a apresentação deste trabalho, foram discutidas teorias foucatianas sobre a forma de governo externa, e a sociedade de controle de Deleuze. E para compreender melhor esta forma de governança, Castro dividiu o fenômeno em três dimensões: a relacional, a vetorial e a agenciadora.

Na dimensão relacional, o indivíduo é fragmentado em seus traços digitais, os quais são combinados em múltiplas relações. A dimensão vetorial é um desdobramento da primeira e relata que as relações são orientadas, e captam tendências e embutidas em projeções sobre o futuro. Já a dimensão agenciadora, desempenha papéis de potencialização de afinidades e contenção de diferenças.

Para o contexto das aulas de Mídia, Complexidade e Poder, é importante ressaltar a observação da pesquisa de Castro ao que se refere à constatação na dimensão agenciadora. O facebook, por exemplo, reflete diretrizes distintas  e situacionais. Coíbe pornorgrafia, promove o cuidado com as fake news, é instrumento de prevenção de certos fenômenos, como terrorismo, epidemias e desastres naturais. Mas por outro lado,em países ditatoriais, como a China, se alinha com a censura do Estado e promove espirais do silencio.

O controle reprodutivos das mulheres

Por Sheyla Melo

No livro Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley o controle reprodutivo das mulheres é feito por um cinto malthusiano, o nome é em referência a Thomas Robert Malthus (1766 — 1834) que formulou teorias sobre o controle populacional no qual continha três fundamentos:

  1. A sujeição moral de retardar o casamento
  2. A prática da castidade antes do casamento
  3. Ter somente o número de filhos que se pudesse sustentar

O retardo do casamento e a castidade era prática imposta as mulheres, já que os homens boêmios não abandonaram a vida de prazeres e as responsabilidades de casamento e filhos ficou geralmente para as mulheres.

Na obra de Huxley, o casamento não existia, todos pertenciam a todos, esse era um dos ensinamento hipnopédicos e ter filhos era algo considerado dos selvagens e que assemelhava as pessoas aos animais.

Então a regra era não casar e não existiam filhos, crianças nasciam em tubos e em equipamentos de laboratórios e em caso de gestações existiam locais para abortos.

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Filme Admirável Mundo Novo de 1980 – na cena uma senhora da reserva de selvagem anuncia a Linda sua gravidez.

Linda foi deixada na Reserva Selvagem, engravida e da a luz a John, ela não suporta ser chamada de mãe e deprime-se pela experiência das consequências sociais e mudanças no corpo, ela falece após um longo período de coma causado por altas doses de soma.

Hoje vivemos a intensa luta pela legalização do aborto para a sua descriminalização, alguns países já possuem a legalização até 12ª semana de gestação. A maior reivindicação é pelo direito de decidir ser mãe, pois em grandes casos o fardo dessa escolha ficam nas costas das mulheres.

Ter a regra do controle das gestações e ter a regra de ser mãe, ambas impedem as mulheres o seu direito de escolher, a regra gera perseguição social para ter ou não ter e essa gera pressão na vida das mulheres. Os dois casos impedem o uso da reflexão,  é necessário olhar para cada ser humana e vê-la como única, dotada de capacidade de escolher o que quer para sua vida.

A relação entre mobilidade e violência contra a mulher

Por Sheyla Melo

Frederico Bussinger no último encontro do repórter do Futuro que aconteceu no dia 20 de maio de 2017 na  Câmara Municipal de São Paulo nos traz um posicionamento sobre a mobilidade e a logística na cidade de São Paulo.

Frederico Bussinger é Engenheiro, Consultor Técnico e ex-Secretário Municipal dos Transportes de SP

FREDERICO BUSSINGER É ENGENHEIRO, CONSULTOR TÉCNICO E EX-SECRETÁRIO MUNICIPAL DOS TRANSPORTES DE SÃO PAULO

Ao ser questionado sobre se a violência contra a mulher tem relação com a mobilidade, a resposta de Bussinger é que o transporte por atingir todos o território de São Paulo sempre terá dados de violências, já os dados obtidos pelo Estado de São Paulo por meio da lei de Acesso à Informação relata que em 2016 foram 188 casos relatados nos trens e 31 em ônibus, sendo 4 casos por semana registrados.

Outro fato é que pessoas estão mais vulneráveis por passarem tanto tempo no transporte ou na rua aguardando os longos intervalos entre os ônibus e neste caso se o transporte estiver lotado, maior ainda é o risco de assédio às mulheres. Logo as locomoções das pessoas das bordas para o centro eleva problemas na mobilidade e nessa ideia outro problema da mobilidade é a criação de conjunto habitacionais isolados e o quanto isso impacta no transporte.

A complexidade na defesa das águas na Represa Billings

Por Sheyla Melo

Em 2012 o decreto do prefeito Gilberto Kassab determina as desapropriações de imóveis particular no Distrito de Pedreira, zona sul da capital, para a implantação do Parque dos Búfalos, c​ontidos na área de aproximadamente 995 mil m², o mesmo decreto foi revogado em 2013 pelo Prefeito Haddad, assim foi permitido a construção do residencial com a licença da CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.

Em 2014 a cidade passa por uma crise hídrica devido ao esgotamento das reservas de água da cidade, abastecida pelas represas Cantareira, Guarapiranga e Billings, que atendem cerca de 20 milhões de pessoas da região Metropolitana.

Neste mesmo ano intensifica a movimentação em pró do Parque dos Búfalos e pressão  popular fazem a ​suspensão das obras em dezembro de 2014 pelo juiz Kenichi Koyama, mas em outubro de 2015 as obras iniciaram pela construtora ​EMCCAMP que ​teve aprovação para a obra que atenderá uma média de 14 mil moradores.

Em 2015 Gilberto Natalini (PV) que era vereador na Frente Parlamentar pela Sustentabilidade declarou que os governos não estão preocupados com a crise da hídrica que ocorre pelo adensamento na beira de represa, justamente no momento que precisa proteger e não deixar ocupar o pouco que temos de beira de represa.

O projeto garante preservar a área de manancial, segundo André Del Nero diretor comercial da construtora afirma na CPI de compensação ambiental em outubro de 2016 que as áreas estão preservadas, as nascentes tem área tem 50m de recuo e estão sendo feito a compensação de 1 árvore a cada 6m².

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Imagem da EMCCAMP – out/2016

Atualmente Natalini é Secretário do Verde e do Meio Ambiente e ​na terça-feira (30/5), participou da audiência pública da comissão extraordinária permanente de meio ambiente, na Câmara Municipal de São Paulo, afirmando que a moradia é uma necessidade muito grande e a crise econômica piora muito mais a situação e as áreas mais frágeis são ocupadas “agora ocupando área de manancial, você está ajudando a destruir a água que você precisa para beber, para viver”.

Como a água é um bem para todos seu cuidado precisa ser um plano de estado, uma politica de estado e não de governo que a cada gestão vai se modificando.

Invisibilidade contraditória dos haitianos em Cuiabá

Por Desirêe Galvão

Após o terremoto que assolou a capital haitiana, Porto Príncipe, em 2010 uma onda de imigrantes daquele país começou a chegar ao Brasil. Aos trancos e barrancos aqueles caribenhos chegavam ao gigante sul-americano pela por tríplice fronteira africana e, literalmente, com uma mão na frente e outra atrás, eles se espalhavam pelo país a procura de emprego e asilo. O sonho era chegar a Sao Paulo ou Rio de Janeiro, cidades que conheciam através da TV, mas muitos acabaram ficando em diversas cidades pelo meio do caminho.

Centro Geodésico da America do Sul, Cuiabá havia experimentado pouquíssimas vezes fenômenos migratórios. Logo que começaram a chegar, mesmo em silêncio, foram notados imediatamente pela população, pois as características estavam não só no tom do negro, mas também nas roubas, nos acessórios. E sendo assim, ganharam as manchetes regionais.

As pautas, salvas raríssimas excessões de veículos menores de comunicação, orbitam as dificuldades que os haitianos tem para encontrar emprego, aprender o idioma, a quantidade de imigrantes em situações difíceis. A avalanche da chegada deles teve o auge em 2014, se manteve em 2015, e começou a se inverter em 2016 com a crise econômica, quando os imigrantes começaram a ir embora para outros países, principalmente o Chile.

Ora, será que em cinco anos de estadia em Mato Grosso os haitianos já não se adaptaram, fizeram família e começaram a ser motivos de pautas mais positivas? Esta é exatamente a crítica que a comunidade de imigrantes em Cuiabá faz. E sem espaço nas grandes mídias, isolados, eles começaram a produzir conteúdos para quem se interessasse em ver através das mídias sociais. Um dos percursores deste movimento foi o grupo Star Magic 509, um grupo de rap que canta até em português.

Aos poucos, a comunidade de 800 imigrantes que estão conectados através do facebook começa a motivar pautas na mídia regional. Para além do rap e da igreja haitiana da periferia, agora os haitianos mostram que ficando em Cuiabá, tem muito mais a oferecer do que somente dificuldades sociais.

 

 

Retrocesso da diversidade

Por Simone Dantas Miranda
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Obra “Operários” de Tarsila do Amaral

“O Brasil é multicultural”. Para boa parte de nós, brasileiros, o multiculturalismo nos define. Peça pra explicar e nossos principais argumentos são de que aqui recebemos bem os imigrantes porque gostamos de estrangeiros, é terra de oportunidades e não temos problemas de intolerância.

Mas com tantos povos, etnias e religiões no mundo, o que nos faz acreditar que somos realmente tolerantes à diversidade. Ora, num país de maioria católica que hoje se divide entre petralhas e coxinhas, o simples fato de sermos um povo de cor de pele diversa não nos define como multicultural. Na verdade, pela nossa extensão territorial, detemos uma vasta cultura brasileira: no sul, a influência de nossos “hermanos” e traços da cultura europeia, africana e oriental em todo o país. Todo brasileiro que se preze teve um avô ou bisavô estrangeiro.

Na recente vinda de imigrantes do Haiti, entretanto, muitos cidadãos relataram olhares desconfiados de brasileiros. Psicólogos especializados em cultura, atendem imigrantes que chegam ao Brasil e tentam explicar porque, no ônibus, as pessoas não se sentem ao lado do estrangeiro de origem árabe.

Ao invés de caminharmos rumo ao respeito às culturas, alguns de nós, são intolerantes ao novo. Nossa cultura, apesar de historicamente construída com base na diversidade, nos fez avessos à diferença. Não falo do imigrante francês ou americano. Refiro-me àqueles que buscam em nosso país  exatamente o que ostentamos em discurso: terra das oportunidades.

Constatamos diariamente nos noticiários qual o resultado da intolerância: violência. Criticamos a política separatista dos líderes mundiais mas aqui, em nosso “quintal”, banalizamos as notícias de agressões e mortes que acontecem com as pessoas mais vulneráveis da sociedade, o que desconstrói qualquer concepção mitológica sobre o modo como nos relacionamos com a diferença.

Numa época marcada por intercâmbios culturais e o encurtamento de distâncias geográficas a diversidade passa a fazer cada vez mais parte do nosso cotidiano. No entanto, o medo do contato com o diferente pode fazer aflorar o fundamentalismo cultural. Esse medo do diferente é alimentado por uma série de preconceitos e pré-julgamentos que desumanizam sem, entretanto, conhecer. É o momento para reflexão: será que estamos preparados para o diferente?

Orwell segundo Richard Blair

Por Simone Cristina Dantas Miranda

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Boa parte dos leitores do clássico 1984 não sabe que George Orwell se chamava, na verdade, Eric Arthur Blair. Jornalista, nascido na Índia, foi morar na Inglaterra ainda criança. Adotou um menino e perdeu a esposa menos de um ano depois. Tuberculoso, Orwell foi morar na gélida Ilha de Jura, na Escócia.

Quando Orwell morreu, em 1950, seu filho Richard Blair era um menino de apenas 6 anos que hoje, aos 72, tem em sua memória lembranças de um pai amoroso, bem-humorado que lhe fabricava brinquedos de madeira. Apesar de não ter convivido com a obra do pai enquanto vivo, Richard Blair é um entusiasta do que herdou. Blair é presidente da Orwell Society, organização sem fins lucrativos que visa à promoção de debates sobre a vida e obra do pai.

Em entrevista ao El Pais, Blair lembra que além de escritor, Orwell era jornalista e se preocupava em deixar ensinamentos, sendo o principal deles a honestidade. “O mais importante são os fatos que você puder provar, não a realidade que você gostaria que fosse. Hoje, os jornalistas não têm tempo de checar os fatos, e os erros se perpetuam e se multiplicam na internet, até se transformarem numa verdade”, ressalta Blair.

A distopia de George Orwell, 1984, revela diversos paralelismos com a atualidade e, por esta razão se tornou sucesso de vendas quando Donald Trump assumiu a Presidência dos EUA. As teletelas, a novafala, a sociedade vigiada e a manipulação midiática descritas por Orwell como ficção fazem parte da nossa realidade. “A sociedade evoluiu para o que ele viu. O mundo se encaminhou para Orwell”, conclui Richard Blair.

Cada dia mais tornamos 1984 real. A intolerância e falta de diálogos comuns num Brasil dividido em Petralhas e Coxinhas e o desconhecimento do Ocidente dos desmandos dos líderes russo e chinês são exemplos que pouco são lembrados e que merecem a mesma visibilidade dos outros paralelismos encontrados na obra.

Pesquisa adverte: Instagram é prejudicial à saúde mental

Por Simone Cristina Dantas Miranda

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Que as mídias sociais impactam em nossa rotina, nós já sabemos, só não conseguimos mensurar o quanto. Essa é a proposta de uma pesquisa recente da Sociedade Real para Saúde Pública, do Reino Unido. No estudo, 1500 jovens britânicos com idade entre 14 e 24 anos avaliaram como as plataformas de mídias sociais que usavam impactavam questões como depressão, ansiedade, solidão e o senso de comunidade.

Os aplicativos de imagem foram indicados como piores para a saúde mental e bem-estar social. O Snapchat e o Instagram, segundo Shirley Cramer, chefe executiva da Sociedade Real para Saúde Pública, por terem foco na imagem, parecem estar associados à sensação de inadequação e ansiedade entre os jovens.

A constante preocupação com o que os outros pensam aliada à necessidade de estar online o tempo todo afeta de forma negativa o sono, a percepção do corpo e cria o medo de ficar de fora (fear of missing out), principalmente nos britânicos mais jovens que participaram da pesquisa.

Fato é que o Instagram tem 500 milhões de usuários ativos, 95 milhões de fotos postadas e 3,5 bilhões de curtidas diariamente. Não podemos culpar as redes somente, há que se pensar sobre o que é prioridade em nossa rotina e extrair de pesquisas como estas aprendizados que nos ajudem a orientar nosso grupo social. Quem não tem um amigo viciado em mídias sociais, que atire a primeira pedra.

Jornalistas, cuidado com as Fake News

Por Desirêe Galvão

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Não tão nova, a discussão sobre a disseminação das falsas notícias, principalmente através das redes sociais já orbita a academia, os fóruns nas redes sociais e a realidade das. Há dois meses, o próprio facebook disponibilizou um passo-a-passo para os usuários não caírem no constrangimento de compartilhar e acreditar em informações inventadas.

Checar a veracidade das fatos é basicamente o cerne da profissão do jornalista. Pense bem, qual a serventia social de um jornalista, se não para fazer o trabalho pesado de colher, escolher e averiguar a as informações. Seria romântico acreditar que todos os profissionais são apaixonados por este processo de apuração. Quem teve a oportunidade de encarar a realidade de uma redação, por pelo menos uma semana, certamente observou durante as rondas nos outros veículos a disseminação de informações confusas, para não dizer boatos.

Além disso, colegas jornalistas que não tem o respaldo de um veículo um público fiel, de credibilidade na sociedade, sofrem também com a pressão da rapidez para publicar conteúdos. Quem nunca acessou uma manchete bombástica e encontrou apenas um “em breve mais informações”?. Talvez, no desespero para cumprir as metas impostas pelos donos dos veículos, o processo de checagem estaria falhando.

Observando este fenômeno, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, com o apoio do Google News Lab, lançam o primeiro curso online e massivo sobre o tema: “Fact-checking, a ferramenta para combater notícias falsas”. O curso é gratuito e oferecido através de vídeo-aulas, entre os dias 5 de junho a dois de junho. Não é um pre-requisito ser jornalista para se inscrever.

para mais informações, clique aqui.

Rap Plus Size encontra espaço nas redes

Por Desirêe Galvão

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“E quem disse que para ser linda não pode engordar?”. Integrantes do Rap Plus Size Issa Paz e Sara Donato (Foto: Divulgação)

Muito além do tamanho das roupas e porte fisico, o Rap Plus Size produz músicas de empoderamento feminino, contra a gordofobia, o machismo, homofobia e o racismo. As MC’s Issa Paz e Sara Donato, cansadas de não se encaixarem no padrão de beleza imposto pela sociedade e da falta de espaço para mulheres, decidiram há um ano se unir e produzir um álbum de 13 faixas. E se pesado é a gíria usada no meio paulistano para qualificar situações e coisas como muito boas e maravilhosas, no som da dupla o que não falta é peso, é plus size em qualidade.

De acordo com a dupla, o espaço do gordo na mídia é limitado ao retrato do preguiçoso e fracassado, as imagens são sempre as de um indivíduo que não é saudável, obeso por escolha ou as de uma video-cacetada qualquer. A ideia de combater a discriminação sofrida na pele com o rap tem sido difundida, quase que exclusivamente, através do FacebookYoutube e Soundcloud. Apesar disto, algumas faixas do Rap Plus Size chegaram a superar os 20 mil acessos na semana do lançamento.

Para além da gordofobia, as MCs lembram que as mulheres também são diminuídas na sociedade como um todo, bem como dentro do próprio hip hop. Segundo Sara, em qualquer site de rap, se uma mulher for citada a cada dez matérias é muito.

“Eu posso ser mais do que o apoio de palco de um homem, cantar três músicas em um show ou mesmo só alguns refrões, porque é isso que os caras colocam a gente para fazer”, disse Sara Donato.

A militância do Rap Plus Size age também como um organizador de cultura, pois se os rappers não as chamam para participar dos eventos de maneira digna, as meninas produzem os próprios encontros. A ideia é colocar cada vez mais mulheres para rimar,  tocar, dançar, grafitar e lutar. Toda a segunda-feira, por exemplo, acontece a Batalha Dominação, no Largo São Bento, centro de São Paulo, que reúne meninas de todas as zonas da cidade para batalharem entre si rimas improvisadas.

Neste contesto, a produtora Decidimos Mover Nossas Asas (DMNA) foi criada há poucos meses para aumentar a representatividade das meninas no cenário audiovisual do hip hop. Lá as minas comandam tudo, desde a captação de imagem e áudio, a finalização dos videos e gerenciamento das redes sociais de Issa, Sara e o de tantas outras artistas que batalham por um espaço no rap.

Leia mais: http://issapaz.wixsite.com/rapplussize

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Issa Paz ao fundo e Sara Donato no Sesc Jundiaí, em abril deste ano (Foto: Divulgação)

 

Para reflexão: interação humana em xeque na era digital

Por Simone Cristina Dantas Miranda

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“Não sou anti-tecnologia, sou pró-conversação”. Esta é a principal fala da professora de psicologia social do Massachussets Institute of Technology – o MIT, Sherry Turkle. Autora de “Reclaiming Conversation”, lançado pela Editora Penguin, Turkle é considerada pelo jornal The New York Times um voz singular no MIT. Dividindo corredores com gênios criadores, roboticistas e engenheiros da computação, a psicóloga Sherry Turkle defende que o uso excessivo de equipamentos, ou seja, a hiperconexão faz com que a conversa cara a cara perca sua importância no cotidiano.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Turkle vai além e cita que as crianças estão perdendo a capacidade de empatia porque não há muita convivência familiar, já que os pais geralmente estão conectados, preocupados com demandas diuturnas em seus aparelhos de celular, relógios e tablets. Não é à toa que as fábricas de carrinhos de bebê já adaptam porta-celulares para pais e para os bebês. Segundo ela, os pais acabam buscando na tecnologia uma forma de distrair os filhos e os criam já hiperconectados.

A necessidade de conexão constante, segundo a pesquisadora nasce com o medo do tédio e de estarmos sozinhos com nossos pensamentos, traduzindo-se num desespero por estímulos constantes. E segundo uma pesquisa publicada pela renomada revista Science, o termo “desespero” não é uma exagero. O estudo das Universidades da Virgínia e de Harvard constatou que algumas pessoas preferem se autopunir, até com choques elétricos, a ficar 15 minutos sem acesso à equipamentos e sem nada para fazer. A psicóloga forense Sherrie Bourg Carter, de Fort Lauderdale, na Flórida, concorda com Turkle que as tecnologias modernas podem contribuir para a incapacidade de diminuir o ritmo. “Somos socialmente treinados para procurar estímulos a sensações no nosso trabalho e lazer”, disse Carter.

Para Sherry Turkle, a solução é simples mas demanda boa vontade: conversar mais. Segundo ela, temos o hábito de substituir uma conversa por e-mail ou mensagem de texto justamente para evitarmos enfrentar nossos sentimentos, já que o texto pode ser editado e nos ajuda a apresentar uma versão nossa mais controlável. Ocorre que já foi comprovado que, no ambiente de trabalho, a produtividade, a colaboração e a criatividade aumentam quando há espaços para conversas. No ambiente familiar, Turkle sugere que criemos “espaços sagrados” em que não seja permitido o uso de aparelhos, seja ele o jantar diário ou um ambiente da casa.

No livro Reclaiming Conversation, Sherry Turkle destaca que estamos treinando nosso cérebro para a dependência aos estímulos tecnológicos porque não sabemos lidar com a solidão. “As pessoas se sentem juntas mas sozinhas porque têm muitas conexões mas nenhuma conversa”. Ela defende que ao termos uma vida em que nunca estamos sozinhos de fato até o nosso senso de identidade muda e passamos a ficar menos capazes de conviver conosco e com pessoas de verdade.

Insensibilidade ou a banalidade do mal

Por Simone Cristina Dantas Miranda

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A filósofa alemã Hannah Arendt inaugurou o termo “banalidade do mal” no livro Eichmann em Jerusalém. Após sofrer perseguições na Alemanha nazista, a intectual judia foi cobrir, anos mais tarde, o julgamento de Adof Eichmann, ex-membro da SS, responsável pela logística de prisioneiros do regime de Hitler.

Durante o julgamento, Arendt concluiu que Eichmann não era um sujeito particularmente perverso. Ele era parte de uma engrenagem maior, era um mero funcionário que cumpria ordens de um grupo social que agiu no vácuo do pensamento, que tornara a violência trivial. Talvez ele fosse apenas insensível a ponto de não perceber o mal que fazia ao planejar suas tarefas diárias. Talvez.

Se era insensibilidade, o que distancia nossos militares e militantes políticos na ditadura da banalidade do mal apresentada por Hannah Arendt? Também não seriam dois grupos tomados por seus ideais usando a violência como única forma de fazer valer seu pensamento? Talvez.

E o que dizer de um país que registra mais mortes violentas do que o Oriente Médio em guerra? É o Brasil em comparação com a Síria, segundo o anuário de Segurança Pública. Não sabemos os nomes de nossas vítimas mmas quem não se lembra da imagem que chocou o mundo do menino sírio Alan Kurdi, encontrado morto numa praia da Turquia após uma tentativa de fuga da guerra.

Hannah Arendt foi muito criticada por sua visão em relação ao homem acusado de genocidio e crimes contra a humanidade. Cabe uma auto-análise de nossa parte quanto ao horror que vivemos diariamente no Brasil. Vemos barbáries contra índios, execuções em presídios, tiroteios diuturnos nas comunidades cariocas, vandalismo em protestos de trabalhadores. Se já nos esquecemos de Maria Eduarda, estudante morta dentro da escola na Pavuna (RJ), de qual excesso sofremos: informação, violência ou insensibilidade?

O brasileiríssimo complexo de vira-lata

por Simone Cristina Dantas Miranda

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Nelson Rodrigues talvez não imaginasse que sua crônica de 1958 sobre a derrota desastrosa do Brasil na final da Copa de 1950 criaria uma expressão usada por sociólogos, psicólogos, gestores e jornalistas para definir o brasileiro: o complexo de vira-lata. Com o termo, o dramaturgo buscava criticar a inferioridade que o brasileiro assume diante de qualquer nação ou cultura, principalmente de origem européia e norte-americana. Eis que quase 60 anos depois, o complexo de vira-lata ainda permeia nossa sociedade.

O discurso derrotista de que nada no Brasil presta, tão presente em nosso dia-a-dia, fez com que nos envergonhássemos da abertura da Copa em 2014 e nos surpreendêssemos com a abertura dos Jogos Olímpicos no Rio. “Padrão americano”, alguem disse na TV. Esse sentimento de inferioridade e de deslumbramento com o estrangeiro tem suas raízes históricas. Marcada pela sociedade escravocrata e pelas elites brancas, nossa história é repleta de acadêmicos que pensavam o Brasil como inferior. Eles não viam no Brasil o que a França e a Inglaterra tinham a oferecer em termos culturais, sociais e econômicos.

A baixa auto-estima nacional permeia nossa formação intelectual, afinal, que peso tem um Congresso que não ofereça um palestrante internacional? Qual o diferencial do currículo que não possui uma vivência no exterior? Ainda buscamos no estrangeiro a solução para os nossos problemas. As empresas brasileiras chegam a importar soluções de “management” e se esforçam para encaixá-la na cultura brasileira.

“É um problema de fé em si mesmo”, concluiu Nelson Rodrigues naquela crônica. Há quem diga que ainda sofremos do complexo de vira-lata porque não temos uma consciência de cidadania. Outros dizem que nos falta analisar criticamente nosso passado para buscar um futuro diferente. E pra você, qual a solução para o complexo de vira-lata que assombra o brasileiro?

 

Ficção distópica russa inspirou Orwell e Huxley

BA3C0F3A-2889-4B27-B25A-743464F5ECCC-401-000000D6FDC8A214Por Simone Cristina Dantas Miranda

Escrito em 1923, o romance russo ‘Nós’, de Ievguêni Zamiátin, teria inspirado as grandes obras distópicas de George Orwell, 1984, e de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo. Censurado pela União Soviética, o romance foi publicado nos Estados Unidos mas só em 2004 o Brasil recebeu a tradução direta do idioma de origem pela editora Alfa-Omega.

Neste ano, a editora Aleph vai lançar uma nova edição que inclui um ensaio de George Orwell sobre a obra e uma carta de Stálin escrita em 1931, quando era Secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética.

O título é bem sugestivo. ‘Nós’ trata da vida no Estado Único em que não há individualidade. Narrado em primeira pessoa, pelo engenheiro D-503, responsável pela construcao de uma nave, a liberdade como crime, o Estado Absoluto e a perversão dos ideais utópicos são amplamente discutidosx. Zamiátin a escreveu apenas seis anos após a revolução socialista que depôs o czar e instaurou a ditadura do proletariado como os livros de história nos dizem.

Em tempos de Snowden e Trump, as obras distópicos voltaram a ser sucesso de vendas. O livro 1984 chegou a ser o livro mais vendido pela Amazon uma semana após a posse do republicano. ‘Nós’ é reeditada seguindo essa onda mas parece valer o investimento.

O slam ou o sarau?

Por Sheyla Melo

A prática do Slam ou das competições poéticas tem origem em Chicago na década de 80 e seu ícone mais divulgado como fundador é Marc Smith, consiste em disputas entre poetas que recitam escritos de autoria própria para juízes que podem dar notas, geralmente de zero a dez.

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Nota dada pelo juri popular em Slam da Resistência – fotografia de Sérgio Silva

Na cidade de São Paulo muitos slams surgiram nos últimos anos, principalmente nas regiões centrais da cidade, a ideia é partilhar poesias e no final temos uma pessoa que enfrenta todos e sai com a maior nota.

Diferente do sarau que é a prática de incentivo à leitura e acesso ao livro, com uma maior concentração em regiões periféricas, neste a ideia principal é aguçar o desejo de ler a todas as pessoas envolvidas, sem exclusões ou classificações e também encorajar a escrita e a partilha de poesias ou outras linguagens artísticas.

Numa sociedade onde valores como ser vencedor, de competição acirrada e aceleração constante, incentivo as pessoas a irem em saraus, pois ao final volto para casa sem ser vencedora, principalmente por não ter juízes para esse encontro e com uma leve sensação de felicidade por não ter que rebaixar ninguém pra ser melhor.

Brasília em guerra contra o tempo

Por Desirêe Galvão

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Três gerações de caixa dois, Norberto Odebrecht, já falecido, o filho Emílio (à direita) e o neto Marcelo (Divulgação/ publicado pela Folha de S.Paulo)

As delações à Justiça da maior empreiteira do Brasil vem deixando um exército de parlamentares desesperados em Brasília. O proprietário, Emilio Odebrecht, relatou que a prática de caixa dois em campanhas eleitorais é longeva, e que desde a fundação da empresa em 1944, “sempre foi o modelo reinante no país”. Na história, os últimos dias devem ser lembrados pelo descaramento dos políticos para manipular os discursos em próprio favor.

A enxurrada de ao menos 80 inquéritos, que devem ser abertos no STF contra figurões, provocou uma união entre a elite política de esquerda e direita para defender a anistia ao caixa dois. Parlamentares, de praxe rivais, passaram a advogar juntos que o caixa dois é uma prática diferente da corrupção, mesmo que seja eticamente considerada errada. Junto a esta corja até o presidente do STE, Gilmar Mendes, chegou a dizer que algo deve ser feito para desmistificar a prática claramente onerosa para a sociedade.

A gangue dos delatados não deixou ninguém de fora. E no meio desta guerra, até mesmo o modelo de lista eleitoral fechada, rechaçado em 2015 durante as discussões de reforma política,  foi ressuscitado. Enquanto na metade de março comissões nem sequer foram constituídas, Brasília trava uma corrida para tentar sobreviver a 2018 e manter o foro privilegiado até 2022.

Espírito Natalino para quem?

São Paulo sofre uma das suas maiores crises financeiras e políticas de sua história. Com a descrença na gestão pública, paulistanos percebem a cada dia o crescente número de moradores de rua em grandes bairros da cidade e, inclusive, na principal avenida: a Paulista. Entretanto, algumas questões como essa parecem não ser emergentes na pauta frente a preocupações rotineiras de administração.
Há alguns anos a manchete se repete: “sem patrocínio, Prefeitura pode bancar Natal e réveillon na Paulista”. O cenário de um país em crise e de prefeituras com seus caixas no negativo traz à reflexão a lógica de prioridades de gestão da maior metrópole da América Latina.
Esse ano, a prefeitura não contará com a parceria do banco Santander, que durante 12 anos patrocinou a montagem da clássica árvore de Natal, localizada em frente ao parque do Ibirapuera. O investimento aproximado é de 2 milhões de reais por temporada, que, agora, deve ser assumido pela gestão da cidade.
Além disso, como no ano passado, pretende-se investir R$ 8 milhões na decoração de Natal em toda a cidade, incluindo a Avenida Paulista. A gestão de Fernando Haddad abriu uma licitação para os interessados, porém não houve empresas entusiasmadas no patrocínio.
Dada às devidas proporções de importância para cada trama e ausentando-se das responsabilidades delimitadas entre governo e prefeitura, questiono o verdadeiro propósito do espírito natalino, especialmente para aqueles que estão à mercê do amparo do Estado, aqueles que dormem nas ruas todos os dias.
Não me soa normal ou pouco custoso um orçamento de 10 milhões gasto apenas com decoração de natal. Entendo o valor da ambientação da cidade para a data festiva, porém com questões como educação, saúde, segurança e moradia em linha, a gestão de orçamento para cada capítulo público apresenta-se despreparada para a realidade que a tange.
Não há descrédito na decoração de Natal ou em sua beleza, e sim, na relevância que estamos dando frente aos reais problemas de São Paulo. Ainda que deixe a cidade mais iluminada e superficialmente bonita, fico em dúvida sobre qual dimensão estética da cidade estamos nos preocupando.

Vamos celebrar

Dia 15 de outubro comemoramos o dia dos professores. Mestres que nos ensinam a arte da vida e do pensar. Profissionais que, em muitos países, são considerados prioridade nas políticas públicas, recebendo o devido reconhecimento seja por meio da valorização do ofício ou via remuneração e benefícios.
No Brasil, entretanto, esse cenário não se repete. Não é incomum professores atuarem em condições pouco adequadas de trabalho, seja por infraestrutura, material de apoio ou até mesmo por assédio moral. Muitos têm carga horária dobrada para complementar a renda.
Segundo um estudo divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, nossos docentes recebem menos da metade da média salarial paga aos professores de 46 países. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação afirma ainda que em mais dez estados brasileiros não se paga nem o piso.
Lamentável crise no sistema educacional do país, a valorização dos professores vai muito além das questões salariais. Como se não bastasse a evidente desmotivação dos profissionais, o modelo, ainda no formato fabril do século 19 e com pouco foco na aprendizagem e na educação integral, não desperta interesse dos alunos. Esse visível cabo de guerra entre estudantes e mestre divide opiniões. Muito se discute e pouco se faz para resolver a problemática do principal pilar responsável pelo crescimento socioeconômico do país.
Enquanto isso, milhares de brasileiros assistem em inércia nosso descaso pela educação. Enquanto isso, nas redes sociais, como diria um mestre há 20 anos, nós celebramos a juventude sem escola e nosso estado, que não é nação.

Justiça ou tortura?

Por Adríssia Di Paula

Há alguns dias, os olhos de toda a internet brasileira se virou para o caso de Maicon Carvalho dos Reis, tatuador que foi preso por torturar um adolescente de 17 anos que havia tentado assaltar uma pensão. Maicon tatuou a frase “eu sou ladrão e vacilão” na testa do jovem e também filmou a tortura. Logo, postou nas redes sociais, afirmando que fez justiça com as próprias mãos.

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O caso repercutiu com bastante rapidez. A atitude, justificada como “impulso”, viralizou nas redes e obteve opiniões divididas, sendo que a maioria se revoltou contra o tatuador. “Tortura não é justiça. O jovem poderia ter uma segunda chance e o cara estragou tudo”, comentou um dos usuários. Outros, rebatiam “bem feito, quero ver assaltar de novo”. Ao meu ver, as opiniões dos usuários, principalmente daqueles que acharam “bem feito”, já define bem o caráter dos mesmos – conseguimos dividir bem quem faria a mesma coisa. Não é assustador? Há quem tenha empatia e há quem não acredite na mudança do jovem. De qualquer maneira, crueldade realmente não é justiça e Maicon foi condenado por tortura, que pode levar de 8 a 10 anos de prisão. Já para o adolescente, foram doados por volta de R$16 mil reais em uma vaquinha online para que ele possa fazer uma remoção de tatuagem. Há quem diga que isso é passar dos limites. Para outros, isso representa mudança e esperança. As redes sociais, por fim, acabaram ajudando o jovem, tanto financeiramente quanto emocionalmente. Independente da opinião de quem é à favor da tortura, o jovem talvez ganhe uma segunda chance.

Vídeos postados na internet com intenções “boas” nem sempre realmente tem intenções boas. Nem todo mundo é o Batman para fazer justiça com as próprias mãos. Devemos lembrar que nem sempre vingança é a melhor solução… E que a internet nunca perdoa.

A VIRALIZAÇÃO DAS FAKE NEWS

Por Laura Rodrigues

Essa semana, ficou em voga nos meios de comunicação o caso do adolescente que teve a sua testa tatuada, no ABC Paulista. Quando as primeiras notícias saíram, muitas pessoas começaram a julgar o garoto, e a dizer que ele merecia a punição, pois segundo os tatuadores, ele havia furtado a bicicleta de um deficiente físico, e revoltados, resolveram tatuar na cabeça dele a seguinte frase “Eu sou ladrão e vacilão”.

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Com o passar dos dias, o vídeo que mostra a ação dos tatuadores começou a circular e a viralizar na internet, e outra versão da história começou a ser contada. Pelo levantamento da Polícia, o garoto não havia furtado bicicleta alguma, e descobriram com a família do menor que ele é usuário de drogas, álcool e que possui transtornos psicológicos. Através do vídeo liberado pelos tatuadores foi possível identificar sinais de tortura ao adolescente. Segundo depoimento do mesmo, ele teve seus pés e braços amarrados, para que não escapasse. Os tatuadores foram presos por tortura.

Esse caso é apenas um entre milhares que surgem todos os dias, sobretudo na mídia digital. São as chamadas fake News. Se não averiguamos o conteúdo da notícia, não podemos saber se é real ou não. Muitas notas falsas, acabam por distorcer a realidade e, no caso citado acima, interpretaríamos a história de forma precipitada. Ao invés de ver o menor como alguém que precisa de ajuda, por todo o histórico que apresenta, o veríamos apenas como um marginal, e talvez até achássemos aceitável ele receber uma punição por seus atos. Esse é apenas mais um exemplo de como a mídia pode nos manipular, por isso é importantíssimo ir mais além e buscarmos informações, para poder discutir qualquer tema em nossa sociedade, sem disseminar essas fake News.

Caso Floyd Collins

Por Fábio Gomes

A Montanha dos 7 Abutres é até hoje considerado um clássico do cinema por causa da maneira como retrata a espetacularização midiática. O filme conta a história de um repórter sem escrúpulos que faz de tudo para noticiar eventos de uma forma espetaculosa. A história do filme foi baseada em um fato real, que teve como protagonista um escavador chamado Floyd Collins.

Em 1925, Floyd Collins ficou preso em um complexo de cavernas, localizado no estado de Kentucky, enquanto explorava os túneis com o objetivo de encontrar rotas turísticas. Nos primeiros dias, os responsáveis pelo resgate conseguiam, através de pequenas passagens, entregar comida e água para Floyd. Entretanto, após 4 dias, uma rocha deslizou e isolou de vez o escavador. Floyd permaneceu preso por mais 14 dias, quando faleceu devido as suas condições precárias.

O que tornou o caso famoso foi justamente a cobertura jornalística do acontecido. A história de Floyd foi extensivamente coberta pela mídia, gerando grande atenção do público. Em certo momento do resgate, a curiosidade popular foi tão grande que diversas famílias se deslocaram até o local para acompanhar o salvamento, criando uma espécie de festival nos arredores do local, com barracas de alimentação e vendedores.

O que consolidou a participação da mídia nesse evento foi a cobertura do repórter William Burke Miller, do jornal The Courier-Journal de Louisville. Willian chegou a ser um dos envolvidos na tentativa de resgate, utilizando sua baixa estatura para ajudar a remover terra dos arredores de Floyd, o que deu ao repórter a possibilidade de entrevistar o acidentado. Com isso, William ganhou notoriedade e conquistou um prêmio Pulitzer de jornalismo.

Quem Matou Eloá

Por Fábio Gomes

Lançado em 2015, o documentário curta-metragem “Quem Matou Eloá” debate sobre a história do sequestro e morte da menina Eloá, acontecido em 2009, e traz a tona diversas discussões a respeito de como o caso foi coberto pela imprensa, o discurso empregado na mídia e o papel dessa cobertura no desfecho do caso. Além disso, o documentário levanta alguns questionamentos sobre os significados presentes nesse acontecimento, traçando paralelos com diversos assuntos fortemente debatidos atualmente, principalmente o feminismo.

O filme avalia a repercussão midiática através da análise de alguns recortes de matérias do período em que o caso acontecia. Através desses trechos, fica evidente uma série de absurdos. O que mais choca dentre esses absurdos é a atitude de alguns jornalistas que contataram e entrevistaram o sequestrador, se colocando na frente da polícia na tarefa de – sem nenhum treinamento específico – negociar com o rapaz.

Outro ponto denunciado é a tentativa insistente da mídia em romantizar a história. Ao fazer afirmações do tipo “é apenas um rapaz apaixonado cometendo um erro” ou “ele está fazendo tudo por amor”, a imprensa relativiza as atitudes criminosas do agressor. O que se aprende dessa história, de acordo com os jornais, é que cometer crimes é justificável se for por “amor”.

Por último, o documentário coloca em cheque a influência psicológica que todo aquele circo causou sobre o sequestrador. Segundo os depoimentos, o rapaz acompanhava a sua própria narrativa, através da televisão, sentindo-se poderoso por causa de toda aquela atenção.

Liberdade de imprensa na Coréia do Norte

Por Fábio Gomes

Em entrevista para a Agência EFE, o jornalista norte-coreano, Chang Hae-seong, detalhou como funciona a censura dos meios de comunicação da Coréia do Norte. País de regime totalitarista, liderado pela família Kim desde os anos 90, a Coréia do Norte tem como única fonte oficial de notícias a estatal KCTV, onde Chang trabalhou por 20 anos.

Enviado para campos de trabalho após escrever o nome do líder erroneamente, Chang Hae-seong contou em entrevista que os conteúdos da televisão são submetidos por 3 níveis de censura: o interno, o estatal e o posteriori. O jornalista também afirmou que a família Kim e seus assessores ‘fornecem instruções detalhadas sobre o tipo de programas que a TV norte-coreana (‘KCTV’) deve transmitir’ e ‘monitoram os conteúdos propostos pelos jornalistas’.

Chang falou que a empresa transmite conteúdos estrangeiros sem especificar questões autorais, ilustrando esse fato ao contar que, apenas quando se mudou para Seul, descobriu que o desenho animado que assistia na sua infância era americano, e que os personagens, o rato e o gato, eram chamados de Tom e Jerry.

O Jornalista, que está lançando seu livro “Rio Tumen”, concluiu a entrevista afirmando que os seus ex-colegas ‘estão conscientes de que a Coreia do Norte já não é socialista, e sim, uma monarquia feudal’, mas o que os mantém dentro dessas condições é o medo imposto pelo governo.